
Enquanto vereadores de Divinópolis relatam pressão e desgaste na relação com Gleidson Azevedo, o senador Cleitinho Azevedo acirra disputa interna da direita por protagonismo
Se não faltam vídeos com dancinhas, também não faltam relatos de descontentamento de vereadores da base com o prefeito de Divinópolis Gleidson Azevedo (Novo). Pelos corredores do Legislativo, enquanto parte afirma que o irmão do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) já teria “jogado a toalha” e estaria em contagem regressiva para deixar o cargo no fim do próximo mês, outra ala já trata a vice-prefeita Janete Aparecida (Avante) como chefe do Executivo — ainda que isso, nos bastidores, ocorra desde o primeiro mandato.Polícia Divinópolis
A verdade é que, agora, com o irmão gêmeo do senador preparando as malas para uma possível “mudança” para Brasília, a relação de “harmonia” entre os Poderes já dá sinais de desgaste. Reflexo das eleições 2026.
Vereadores ouvidos pela coluna e, até então, fiéis ao silêncio que ronda a relação entre base e governo, mostram-se mais dispostos a falar. Um deles, visivelmente contrariado, confidenciou que a conivência com o Executivo é movida, sobretudo, pelo “medo”.
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A denúncia e o afastamento dos vereadores Rodrigo Kaboja e Eduardo Print Jr. teriam sido interpretados apenas como um “recado”. Somados ao poder e à destreza do grupo nas redes sociais, esses fatores levariam parlamentares a optar pela conivência ao risco de questionar o questionável. “Esse tanto de eventos aí? Isso precisa de fiscalização e ninguém faz nada”, confessou um vereador.
Se, por um lado, o receio do “clã” Azevedo tem reflexo direto na Câmara – que hoje conta com apenas dois nomes claramente de oposição, Vítor Costa (PT) e Kell Silva (PV) -, por outro, cresce outra preocupação entre parte dos parlamentares. Muitos dos reeleitos se destacaram justamente pelos vídeos colaborativos com o prefeito.
Descontentamento silencioso dos vereadores de Divinópolis
Vereadores de Divinópolis surfaram na capacidade de engajamento de Gleidson nas redes sociais. Agora, com a possibilidade de ele alçar voos para a capital federal, essa presença digital ao lado dos vereadores tende a diminuir. Afinal, terá de dividir espaço e agenda com lideranças de outras localidades. Divinópolis, sozinha, dificilmente elege um deputado federal.
Por fim, esse descontentamento silencioso diante do questionável pode respingar em eventual gestão de Janete. Conseguirá a vice-prefeita manter a base até 2028? Uma coisa parece clara: a relação atual entre o Alto da Paraná e os nobres edis não é construída integralmente sobre respeito institucional. O ingrediente predominante, segundo relatos, é o “medo”. “Ninguém arrisca falar nem de CPI”, revelou outro vereador que tem enfrentado desgaste com os Azevedos.
Com um dos Azevedos fora da prefeitura, já não há tanto por que andar em cascas de ovos. Os embates tendem a respingar menos ou quase nada nos irmãos: Gleidson, Eduardo e Cleitinho. Assim, os vereadores não se desgastam com o clã que deverá continuar com “a chave da cidade”. O medo mudará apenas de endereço.
Parte do incômodo também reside na percepção de que os irmãos concentram os méritos, escolhendo “preferidos” como coautores de iniciativas originalmente apresentadas por outros parlamentares. Uma estratégia que, na visão crítica de bastidores, enfraqueceria o Legislativo, transformando vereadores em coadjuvantes dos próprios projetos e articulações.
Ainda sobre os Azevedo
O racha da direita em Minas ficou ainda mais evidente com os “berros” do senador Cleitinho (Republicanos) em entrevista à Revista Timeline. A oposição, há algum tempo, parece assistir, com “balde de pipoca” na mão, o processo de fragmentação da direita na tentativa de construir um nome ao governo de Minas e articular o palanque para Flavio Bolsonaro no estado.
Cleitinho acusa a direita de tentar boicotar uma eventual candidatura dele. O senador nunca havia se declarado abertamente pré-candidato. Agora, afirma que, por liderar pesquisas, precisaria de união em torno do seu nome. Disse que abriria mão apenas para o deputado Nikolas Ferreira (PL). Este, contudo, já declarou que não disputará o cargo e tem dividido agenda com o vice-governador Mateus Simões (PSD), apontado como pré-candidato à sucessão do governador Romeu Zema (Novo).
Seria justamente o grupo de Nikolas o principal defensor do nome de Simões.
Eleito na vontade popular
Cleitinho, como já mencionado nesta coluna, tenta vencer na vontade popular antes mesmo das urnas. Uma estratégia para pressionar partidos, que, segundo interlocutores, não enxergam nele lealdade ou previsibilidade. Ao sustentar o discurso de que “partido não manda no meu mandato”, o senador circula por pautas diversas. Se declara de direita, mas frequentemente flerta com agendas caras à esquerda.
Na entrevista, chegou a citar o senador Rodrigo Pacheco e um eventual apoio do presidente Luiz Inacio Lula da Silva ao nome dele na disputa pelo governo mineiro, declaração que soou como sinal de preocupação estratégica. Há quem avalie que, em um eventual segundo turno com nomes da direita na disputa, o PT poderia apoiar Cleitinho. Verdade? Só o tempo dirá.
Com o relógio acelerado e o calendário eleitoral se aproximando, a direita mineira trava uma disputa interna para assegurar o comando de um dos estados mais relevantes e estrategicamente decisivos do país.
Enquanto isso, Cleitinho mantém a estratégia que o fez de “herdeiro do verdurão”, senador da República. Legislando pela internet, falando o que o povo quer ouvir, surfando no bolsonarismo, flertando com a esquerda e batendo de frente com partidos.
Fonte:> Portal Gerais








