★ – Fiéis até a Morte:Cristãs aos Leões!…

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A pintura Faithful unto Death: Christianae ad Leones!, exibida na Royal Academy em 1888, retrata uma cena no Coliseu de Roma durante a perseguição aos cristãos.

Um grupo de jovens mulheres nuas está amarrado a hermas, aguardando a chegada dos leões, alguns dos quais podem ser vistos atrás do portão arqueado ao fundo, ansiosos por sua presa. Uma das jovens, tomada pelo medo, desmaiou e está sendo reanimada por uma escrava negra.

De acordo com Trevor Blakemore, em sua monografia sobre Schmalz (1911):

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“É a festa de Baco, e os pilares estão pintados de vermelho e ornamentados com emblemas de seu culto, embora os ritos ativos sejam mais apropriados a Moloch do que ao alegre consolador de Ariadne.
Fileiras e mais fileiras de rostos expectantes se elevam ao redor do anfiteatro, cujo chão é de areia macia e cujo teto é o maravilhoso púrpura do ‘velarium’, bordado com as estrelas do céu entristecido.
Escravos negros, vestidos de vermelho e branco, conduzem alguns retardatários aos seus assentos.
Os soldados romanos descansam sobre suas lanças na entrada, ao lado da qual estão sentados alguns embaixadores estrangeiros ou convidados do grande César…

Grande cuidado e habilidade foram dedicados aos detalhes arquitetônicos e arqueológicos, cada elemento sendo executado com incansável precisão, como demonstrado pela folha de videira meio oculta na areia e pelos ossos branqueados de alguma matança anterior, desenterrados pelas rodas do carro do imperador que passa.”

A pintura reflete um imaginário popular sobre a perseguição dos cristãos no Império Romano, fortemente influenciado por fontes literárias e pelo romantismo vitoriano do século XIX.

No entanto, historiadores modernos questionam algumas dessas narrativas, destacando que as perseguições, embora reais, não foram contínuas nem tão sistemáticas quanto sugerido por algumas obras de arte e literatura.
As perseguições contra os cristãos no Império Romano ocorreram de forma intermitente entre os séculos I e IV d.C. Geralmente, eram motivadas mais por questões políticas e sociais do que por um ódio específico à religião cristã.

O imperador Nero (54-68 d.C.) é frequentemente lembrado por ter atribuído aos cristãos a culpa pelo Grande Incêndio de Roma (64 d.C.), ordenando suas execuções públicas.

No entanto, perseguições em larga escala foram esporádicas, como sob Décio (249-251 d.C.) e Diocleciano ( 284-305 d.C.).
Embora a tradição cristã tenha difundido a ideia de que cristãos foram executados em massa no Coliseu, as evidências diretas são escassas.

O Coliseu, inaugurado em 80 d.C. sob o imperador Tito, era usado principalmente para lutas de gladiadores e caça de feras,as execuções de criminosos (incluindo cristãos) ocorriam, mas frequentemente em locais variados, como o Circo Máximo.

A ideia de cristãos sendo devorados por leões no Coliseu tornou-se popular principalmente no século XIX, influenciada por obras literárias e artísticas.
A arte acadêmica do século XIX, da qual Schmalz fazia parte, buscava criar composições dramáticas e heroicas, frequentemente com forte teor moral e religioso.

A cena retratada por Schmalz segue essa tendência, enfatizando o sacrifício das mártires cristãs e contrastando a brutalidade dos romanos com a resignação das vítimas.
A presença de elementos exóticos, como escravos negros e embaixadores estrangeiros, também reflete o gosto vitoriano por narrativas grandiosas e detalhadas.

A referência à festa de Baco, na qual os pilares estão decorados com emblemas dionisíacos, é um detalhe interessante, pois sugere um paralelo entre o culto báquico e os espetáculos sangrentos.

Schmalz ainda faz uma analogia com Moloch, divindade associada ao sacrifício de crianças na tradição bíblica, reforçando a ideia de que a execução dos cristãos seria um ato bárbaro e cruel.
Esses elementos mostram um olhar cristianizado e moralizante sobre o paganismo romano, típico da época.

“Fiéis até a Morte:
Cristãs aos Leões!”
1911 d.C.
Óleo sobre tela

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Herbert Gustave Schmalz
(artista germano-britânico)
Coleção Particular

Créditos:> Presente de Grego

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