O sol cresta as peles banhadas de suor. O trabalho arrasta-se pelos campos em morna lentidão.
As plantas nos quintais recurvam-se para o solo ardente, cansadas de tanta luz. Pelos atalhos dos bosques, animais e homens buscam o frescor das frondes e o leito ameno da relva.
A poucos passos, uma cascata umedece o ar, e pequenas gotas, levadas pela aragem, respingam sobre os corpos como bálsamo.
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Para as sombras do bosque também se dirigiu a donzela Antíopa, solitária e inocente. Num canto afastado recolheu-se em seu cansaço.
Estendeu-se entre as flores silvestres e serenamente adormeceu. Os raios de sol, entre as ramagens, formavam desenhos caprichosos em seu corpo magnífico.
Zeus ronda entre as árvores, disfarçado de sátiro.
O coração divino suspira por novas aventuras. Os ouvidos, torturados pelos queixumes de Hera anseiam por vozes mansas.
E o deus surpreende Antíopa, adormecida. Estremece de contentamento ao contemplar as formas perfeitas, os traços delicados, a pele aveludada como damasco.
Cuidando de não despertá-la, o sátiro ardente acerca-se da jovem e prende-a de súbito em seus braços.
Era tarde demais quando Antíopa despertou, assustada e triste.
Só lhe restava ir chorar em terras longínquas a violência sofrida. Pois ao saber do incidente, Nicteu, seu pai, não lhe pouparia pesado castigo.
Deixando para trás os muros de Tebas, onde vivera feliz desde a infância, a jovem embrenhou-se por escuros atalhos através dos bosques. Preferiria morrer nas garras das feras a ser vista por algum pastor ou camponês que certamente levaria a Nicteu a direção de sua fuga.
Depois de muito caminhar entre os perigos, Antíopa foi ver ao reino de Sícion. Epopeu, o soberano, deslumbrou-se com sua beleza. Hospedou-a em seu palácio e suplicou-lhe que se tornasse sua rainha muito amada. Afinal brilhava na vida de Antíopa uma promessa de felicidade. E, em meio a majestosa festa, ela esposou o rei de Sícion.
O tempo de alegria seria breve. Desesperado com a partida da filha, Nicteu, antes de suicidar-se, arrancara de seu irmão Lico o juramento de trazê-la de volta e castigá-la.
À frente de pequena tropa, Lico saiu a investigar sobre o destino da sobrinha, e acabou transportando as muralhas de Sícion. O ataque inesperado concedeu-lhe fácil vitória, e Antíopa, subitamente viúva, retornou prisioneira para Tebas.
No áspero caminho de volta, a jovem detém a comitiva. Atormentada por fortes dores, recosta-se na terra dura e, suplicando a ajuda divina, ali mesmo dá à luz os dois filhos de Zeus: Anfião e Zeto.
Mas não pode levá-los consigo.
O tio implacável obriga-a a abandonar as crianças, que mais tarde pastores recolheriam.
Passaram-se anos em cativeiro e sofrimentos. Presa a fortes correntes, Antíopa vivia apenas de recordações felizes e absurdas esperanças.
Um dos pastores, entretanto, soube da triste vida de Antíopa, e tudo contou aos jovens. Anfião e Zeto rumaram então para Tebas, dispostos a vingar os sofrimentos da mãe.
O primeiro a sucumbir sob as espadas foi o tirano Lico.
Depois Dirce, sua mulher, foi atada à cauda de um touro furioso que os moços soltaram por um caminho de pedras.
Irritado com o suplício infligido a Dirce, sua fiel devota, o deus Dioniso resolveu intervir.
E para punir os jovens castigou lhes a mãe. Enlouqueceu Antíopa, que saiu a errar pelas terras gregas, sem destino e sem lembranças.
Até que um dia a piedade dos deuses colocou em seu caminho o bondoso Foco, que a curou de sua loucura e a esposou, proporcionando-lhe, afinal, a sonhada felicidade.
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Créditos: > Presente de Grego








